domingo, 8 de novembro de 2009

Como tirar mofo de fitas VHS

Depois de 20 dias sem postar por causa de tempo, estou de volta para compartilharmos conhecimento. Hoje o assunto é restauração de fitas VHS. O processo que vou descrever está sendo utilizado para a produção do documentário "Aos Berros - Movimento Punk em Juiz de Fora", trailer em breve aqui.

O primeiro processo para transformar material antigo de VHS para formato digital é remover o mofo da fita. O mofo é inimigo da qualidade do sinal que vai para seu VT. Existem muitas produtoras que fazem esse processo de maneira "meia boca". Aqui você vai conhecer o jeito certo de restaurar seus arquivos sem danificar o material.

Equipamentos básicos:

  • álcool isopropílico
  • álcool comum
  • malha ou pano para limpeza
  • pincel para limpeza
  • aparelho Tira Mofo. Se você não conhece ou não tem clique aqui
  • chave filipes
  • escova pequena, pode ser uma escova de dente
  • estilete

Processo:


1 - Desmontando a fita:

Para a limpeza ser eficiente você precisa remover todo o mofo da caixa. No entanto é preciso ter cuidado ao abri-la, pois alguns estojos têm peças muito pequenas e sem elas a fita não funciona. Abra o estojo com cuidado para que as molas, existentes em alguns estojos, não voem.

I - Retire todos os parafusos de fixação do estojo


II - Vire ela para o lado oposto ao dos parafusos


III - Abra com cuidado




Em alguns casos, principalmente quando há muito mofo e sujeiras, você vai ter que fazer força para abrir e inevitavelmente poderá perder alguma peça. Você deve ter estojos reservas e peças para reposição.

2 - Limpando o carretel

Antes de iniciar o processo de limpeza no aparelho Tira Mofo, primeiro você deve rebobinar a fita. Utilize o próprio aparelho.




Com a fita rebobinada, limpe o carretel vazio usando pincel e pano úmido com o álcool isopropílico. Limpe também a película até o ponto em que o aparelho não consegue alcançar.






3 - Colocando a fita no Tira Mofo

Ao terminar, coloque a fita no aparelho conforme as imagens a seguir. Repare que a película passa por baixo da primeira esponja de limpeza e por cima da segunda.




Inicie o processo.



4 - Limpando o estojo

Enquanto o Tira Mofo realiza a primeira etapa você ganhar tempo limpando e estojo.

CUIDADO: Alguns estojos têm um sistema de molas muito pequenas na parte inferior. Remova-as com cuidado. Se você perdê-las terá que repor, pois esse sistema é responsável pelo travamento e acionamento da fita quando dentro do VT.



Para não correr o risco de perder as peças pequenas, remova-as do estojo e deixe em local seguro.




5 - Realizando o segundo processo no Tira Mofo

O segundo processo é o polimento da película com álcool isopropílico. Para isso o equipamento vem com dois polidores com tecido TNT. Vejamos como funciona:


Primeiro limpe o carretel vazio da fita e a película até o ponto onde o aparelho não alcança, igual você vez anteriormente, só que agora no outro lado.


As esponjas de limpeza do aparelho estão sujas de mofo. Limpe-as usando uma escovinha ou uma escova de dente. Passe um pano no aparelho para retirar partículas de mofo que estão sobre ele. Isso é importante para não contaminar novamente a fita.



Umedeça o tecido TNT de um dos polidores com álcool isopropílico. O outro polidor deve estar completamente seco. A película deve passar primeiro pelo polidor úmido para receber o polimento, e depois pelo polidor seco, para reforçar o polimento e retirar o excesso de álcool isopropílico. Monte conforme as fotos abaixo.






Repare que dessa fez a película passa por baixo dos dois polidores. O polimento é feito no lado da leitura. Portanto a montagem no Tira Mofo é feita de forma diferente do primeiro processo. É preciso ficar atento para isso.

Reverta a chave, inicie o processo.



6 - Montando o estojo

Pegue a base do estojo. Comece montando o mecanismo de molas (se for o caso). Observe as ilustrações:

I - comece pela peça central



II - coloque as duas peças laterais


III - encaixe a mola. O gancho da mola pega numa ponta inferior do estojo. A ponta da mola pega na saliência da peça lateral que você colocou no estojo. Observe atentamente


IV - Repita a operação do outro lado



V - Coloque as demais peças


VI - Coloque a película conforme as fotos a seguir







VII - Feche o estojo


VIII - Fixe os parafusos. Comece pelo parafuso central. Coloque os restantes dos parafusos seguindo a ordem parafuso - parafuso do lado oposto. Não aperte-os completamente. Primeiro encaixe todos, em seguida dê o aperto final.


Dúvidas? Veja o processo em vídeo:

Como tirar mofo de fitas VHS from dafgtr on Vimeo.


Créditos:


Direção: Davi Ferreira


Fotografia: Solléria Rezende

Assitente de produção: Aline Freitas

domingo, 18 de outubro de 2009

Sistemas de cores II

Continuando o post anterior, vamos ver algumas características per- ceptivas das cores. Determinadas ilustrações foram retiradas da apos- tila da professora Ana Sofia Mariz e da apostila dos professores Daniel Maldonado e Cecilia Rozenberg.

Cores complementares:

São cores que ocupam lados opostos no círculo cromático, ou seja, o máximo de contraste. Essa característica pode ser explorada quando se quer dar destaque a um objeto, um personagem, um nome em um banner, etc.


Cores quentes e cores frias:

Cores frias são próximas ao azul e verde. Dão idéia de leveza, ausência de peso, tristeza, passividade, vazio e outras características perceptivas similares.

Cores quentes são próximas ao vermelho e ao amarelo. Dão idéia de peso, fúria, atividade, preenchimento, choque e outras características perceptivas similares.


Fenômeno postimage:

Observe durante uns trinta segundos o quadrado da esquerda. Depois fixe a visão no quadrado da direita que está sem saturação.


O que você vê é a cor complementar do primeiro quadrado. A primeira cor impregna na retina, que reage contrariamente, mostrando a cor oposta. Essa cor permanece por alguns segundos após o objeto sair da visão.

Contrastes simultâneos:

Ocorrem pelas alterações de percepção de brilho, tom e saturação provocada pelo contraste das cores que estão ao redor de determinado objeto.

Contraste simultâneo de valor/brilho:

Abaixo os dois quadrados centrais tem a mesma cor. Porém, quando o fundo é mais escuro, ele parece mais claro. E quando o fundo é mais claro, ele parece mais escuro. A percepção muda devido ao contraste.


Contraste simultâneo de saturação:

Ocorre de maneira idêntica ao contraste simultâneo de brilho. Porém com a saturação: se o fundo for pouco saturado, o quadrado parece mais saturado e vice-versa.


Contraste simultâneo de tom:

Diferentes tons de fundo geram diferentes percepções de cor. Os quadradinhos centrais abaixo tem a mesma cor, o verde. Mas observe que o quadrado da esquerda, rodeado de amarelo, parece mais com azul. Enquanto que o quadrado da direita, rodeado de azul claro, parece mais com amarelo.


Efeitos da cor na percepção da forma:

Tamanho:

Os círculos centrais abaixo tem o mesmo tamanho. Porém, o contraste com o tamanho dos círculos que os rodeia faz com que pareçam ter tamanhos diferentes.


Transparência:

Se produz efeito de transparência quando se mistura as cores (bleend mode screen).


Peso, massa e calor:

Os tons frios parecem mais leves e mais sustentáveis. Os tons quentes parecem mais pesados e menos sustentáveis.


Variação das cores:

Comparação das cores com máxima saturação e seus corres- pondentes em tons de cinza (grayscale).


Essa comparação ajuda a entender características do contraste. Quanto menos contraste entre as cores, mais igualdade tem seus correspondentes em tons de cinza. Na figura abaixo, observe como fica o letreiro com suas cores convertidas em cinza e a relação do contraste.


Cores que vazam ou retrocedem:

Cores frias se sobressaem se são mais ou tão saturadas e luminosas quanto às cores quentes, sob um fundo neutro.


Bom, espero que tenha ajudado de alguma forma. Fiquem a vontade para criticar e/ou complementar esse post através de comentários.

Até a próxima. Vlws;;; :)

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Sistemas de cores

Hoje resolvi compartilhar um conhecimento que às vezes deixa um pouco perdidos os iniciantes em computação gráfica. Principalmente quem quer aprender design, animação, edição, web e / ou outras aplicações que a computação oferece. Veremos uma síntese sobre sistemas de cores para entender melhor seu funcionamento dentro dos programas em geral. Algumas ilustrações foram retiradas da apostila da professora Ana Sofia Mariz e da apostila dos professores Daniel Maldonado e Cecilia Rozenberg. No entanto, não esgotaremos o tema. Haverá outros posts.


Observando o Color Picker do Photoshop, si- milar em quase todos os programas, vemos cinco diferentes sistemas de cores. Dois deles são bem conhecidos RGB e CMYK. Portanto, deixaremos a explicação desses para o final da postagem. Vamos aos outros sistemas. Através deles veremos as cores por um outro ângulo. Para entendê-los, veja- mos seu princípio de funcionamento.

Círculo Cromático

Desenvolvido por Issac Newton (1642-1727) é a base de todos os sistemas de cores usados na computação gráfica. Newton chegou a ele atráves de experiências com prismas na decomposição de cores e na observação de fenômenos físicos da luz. Através do círculo cro- mático podemos relacionar as cores e classificá-las como primárias, secundárias, terciárias, complementares, análogas, entre outras.


A partir do Círculo Cromático foi desenvolvido quase todos os sistemas de cores que utilizamos hoje em dia.

HSB - Hue, Saturation, Brightnees

Esse sistema foi desenvolvido por Albert Munsell (1858 -1918). Foi um dos responsáveis pela criação do padrão internacional de cores em computadores.

H - Hue é o que representa a posição do tom de cor no círculo cromático. É medido em graus. O zero é o tom vermelho, 120º o verde e 240º o azul.

S - Saturação é a quantidade de cor presente. Varia entre o cinza total e a cor. É medida em porcentagem, variando de Zero (branco) a 100% (totalmente colorido).

B - Brilho, valor, ou luminosidade representam a quantidade de luz refletida de uma fonte emissora. Também é medida em porcentagem. Pode variar de zero (preto) ou 100% (máximo de reflexão da cor).

Percepção tridimensional do modelo:


Esse sistema também aparece com outras nomeclaturas, como HSV e HSL, pelo fato de brilho, valor e luminosidade serem sinônmos. O funcionamento é similar.

CIE Lab Color

É o padrão internacional de conversão de cores em qualquer sistema. Por causa dele conseguimos que as cores correspondam exatamente em saídas di- frentes. Ex.: Para converter o RGB de um vídeo em CMYK de uma impressora, o software primeiro con- verte ele em Lab para depois converter em CMYK.

O sistema Lab considera três eixos:

L - Considera a luz, variando do branco ao negro. Varia de zero a 100.

a - Eixo que varia entre o vermelho e o verde. Compreende valores entre -120 e +120.

b - Eixo que varia entre o amarelo e azul. Compreende valores entre -120 e +120.

Visão tridimensional do modelo:


Modelo hexadecimal

É a representação para as cores usada em HTML e em outras linguagens de programação. Esse sistema apresenta uma funcionalidade muito interessante: você pode copiar uma cor no Color Picker de um programa e colar no Color Picker de outro programa, usando Ctrl + C / Ctrl + V. É só copiar e colar o número hexadecimal no campo correspondente. Isso é muito prático quando estamos trabalhando com vários programas de com- putação gráfica ao mesmo tempo.

Na internet uma paleta de apenas 216 cores pode ser reconhecida por qualquer linguagem de web e por qualquer browser. Se você marcar a opção Only Web Collors no canto inferir esquerdo da janela do Color Picker do Photoshop, apenas as cores que aparecem em qualquer circunstância na web são exibidas. Assim, sites mantêm a fidelidade de cores em qualquer lugar que são acessados.


Sistema RGB

O sistema RGB caracteriza as cores formadas por adição de luz. Por isso é considerado sistema aditivo. A luz vermelha R, verde G e azul B são representadas, cada uma, por valores que podem variar de 0 (ausência de luz) a 255 (máximo de luz).

Se o valor de R, G e B são iguais, teremos um tom de cinza que varia do preto (todos os três iguais a zero) e branco (todos os três iguais a 255).

As propriedades RGB são aplicadas onde a luz dá origem a cor: monitores, LCDs, projetores, iluminação de ambientes, etc.


Sistema CMYK

O sistema CMYK funciona de maneira oposta ao RGB: por subtração de luz. Quando olhamos para um objeto, enxergamos sua cor porque esse objeto está refletindo essa cor. As outras são "absorvidas" ou subtraídas pelo objeto. Por usar a subtração de cores, CMYK é considerado sistema subtrativo.

No sistema CMYK os valores de Cyan (azul claro), Magenta (Roxo) e Yellow (amarelo) variam em porcentagem. Se os valores CMYK são iguais, também teremos um tom de cinza. Porém, o Zero representa o branco, que aqui é a ausência de cores, e o 100% o preto, que aqui é a presença de todas as cores. Exatamento o oposto do sistema RGB.

As propriedades de CMYK são aplicadas à mistura de tintas e a todos os sistemas de impressão. Porém, o K (preto) é usado apenas para melhorar os contornos e as sombras.


Similaridade entre RGB e CMYK

As cores principais que representam esses sistemas são comple- mentares. A variação entre uma e outra formam o mesmo ângulo no círculo cromático.



Bom, por hoje é isso. Nos próximos posts teremos mais. Espero ter ajudado de alguma forma.

Fiquem a vontade para acrescentar criticas, sugrestões e comple- mentos pelos comentários. ;) ...

sábado, 26 de setembro de 2009

Mosaico vai ao ar com cara nova

O Mosaico é um programa produzido pela Produtora de Multimeios da UFJF. Conta a história os bairros e das ruas de Juiz de Fora, através de depoimentos de moradores e arquivos (fotos, vídeos e etc). Vai ao ar toda segunda-feira às 21hs 30min e reprisa no sábado às 18hs 30min.

Depois de algum tempo de planejamento, o Mosaico ganha uma nova identidade visual. Agora bem mais leve e agradável, o novo design do programa é a grande novidade para atrair mais patrocinadores e expectadores. As artes gráficas e a abertura anteriores eram muito limitadas e amadorísticas. Agora o programa deixa de ter uma cara de trabalho de faculdade para ter um toque profissional.

Desde quando eu finalizei o programa Identidade, outro projeto da Produtora de Multimeios da UFJF, queria propor uma nova abertura para o Mosaico. Porém, depois daquela época, as coisas ficaram muito complicadas. Trabalhei editando nas eleições municipais de Juiz de Fora e tive que fazer minha monografia. Agora, mesmo depois de receber o diploma, deixei essa contribuição para minha faculdade e meus colegas de curso. Além do mais, acho um ótimo negócio ter meu trabalho exibido para uma cidade de mais de 500 mil habitantes, além dos 850 mil do restante da Zona da Mata Mineira, isso logo após a formatura. Mas também foi um excelente negócio para a Produtora de Multimeios e para a Faculdade de Comunicação Social da UFJF, pois o Mosaico ganha força.

Depois de uma produção que envolveu um ensaio de 731 fotos da cidade, modelagem no 3ds Max e finalização no After Effects, além de um retrabalho, ficarei orgulhoso quando chegar segunda feira e ligar a TV às 21h 30 min na TVE Juiz de Fora canal 12, antes de assistir o CQC na Band. Sempre é bom saber que seu trabalho foi reconhecido e que vai ser assistido por milhares de pessoas.

Nessa segunda (28/09/09) o Mosaico é sobre a Avenida Brasil, que, de tanta história interessante e de tão importante, teve que ser dividido em dois programas. A primeira parte nessa semana, a outra na pró- xima

Vamos ver agora a reação do público e do empresariado. Estou super otimista. Acho que está show. :)

Assista a nova abertura do Mosaico:

Abertura Programa Mosaico Juiz de Fora from dafgtr on Vimeo.


Confira o belo ensaio fotográfico que foi feito da cidade. Além de ser usado no Mosaico, tem ótimas fotos de Juiz de Fora para serem compartilhadas (use-as a vontade mencionando fotografia de Davi Ferreira):


O Mosaico vai ao ar toda a segunda às 21hs 30 min, reprise no sábado às 18hs 30 min. O próximo programa (28/09/09) vai ser sobre a Av. Brasil. Você também pode assistir aos programas que já foram ao ar clicando aqui.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

O poder da verdade

*Texto escrito em 2007, revisado e publicado agora.

Até que ponto nós podemos saber se o que vemos na televi- são é verdade? Você acredita em tudo? Como podemos ter certeza? Essas são questões sutis que geralmente os tele- spectadores comuns não pres- tam muita atenção. O envol- vimento ficcional das pessoas pelas imagens é uma das cau- sas que podem explicar essa interessante sensação de verdade. A ficção mexe com os sonhos despertados pela identificação com personagens e situações. O desejo de reconhecimento e a sensação de que “o que esta sendo mostrando na TV é verdade”, ou que é o correto, ou que é o melhor; transforma a televisão numa fábrica de sonhos que condicionam for- mas comportamentais globais.

Tudo isso porque ela “diz a verdade”. As notícias, as campanhas políticas, os publicitários, dependem em grande parte dessa con- fiança. Se o público não acredita que seu produto é verdadeiramente bom ele não vende. Se a notícia é falsa, o noticiário perde sua credibilidade. Se não conseguir a confiança (ou a compra) do eleitor, o político não se elege. Mas, num mundo onde os meios de comu- nicação esbanjam velocidade em circular muita informação, as pes- soas, por vezes, perdem o referencial e esbarram na questão: em quem confiar? Ou: quem está dizendo a verdade?

A falta de um ponto de referencia fixo provoca uma profunda agonia no ser humano: a incerteza. Para sair da dúvida e de suas conseqüências buscamos a verdade. Às vezes podemos encontrá-la (sair da incerteza) na comunicação interpessoal, com amigos e/ou com as pessoas que vivemos. Quando pensamos que a encontramos, ela é valorizada mais que tudo. Acreditar que vamos encontrar a verdade gera esperança. Quando somos convencidos que algo é verdade ficamos submissos, obedecemos, aceitamos, concordamos, votamos, elegemos, compramos. Basta refletir a respeito para perceber o poder que a verdade tem sobre nós.

A esperança de encontra a verdade gera artifícios retóricos que ajudam a convencer. Estudos de comunicação, desde Aristóteles, nos mos- tram o quanto esse aspecto é explorado. Com ouvintes esperançosos de serem atendidas as suas expectativas, torna-se mais fácil condicionar-los a acreditar na verdade de quem fala, pois o interesse e a necessidade já estão condicionando suas mentes. A esperança de um povo sofrido é usada nas promessas políticas, a esperança de um dia poder comprar um fogão para a casa pode ser satisfeita com várias prestações, acreditar que o time do coração é o melhor (verdade ou não) faz valer apena comprar a camisa... Nós somos sutilmente con- dicionados.

Em meio às incertezas, as verdades da ficção acabam sendo va- lorizas. A necessidade de preencher as deficiências da existência humana se transforma em arte, numa eterna busca. As verdades da ficção podem ser vistas nas modas copiadas das novelas, nos ritos de uma tribo urbana, nas grandes produções... Podem ser vistas também na distorção de fatos de notícias importantes do nosso dia a dia para atender a interesses imersos. Assim, a ficção pode acabar cons- truindo verdades: algumas verdades que podem ser mentiras dis- farçadas.

Quem tem a verdade ao seu lado, tem a preferência do consumidor e, para simplificar (principalmente entre os políticos), poder. A retórica das verdades que mantém o poder é um elo de conflitos, acordos, armações e picaretagens de todo o tipo que possam ser usadas para manipulação das verdades que vão para o ar. As rádios nazistas, os jornais franceses do séc. XVII, a edição do debate entre Lula e Collor em 1989, as malas de dinheiro do mensalão, as armas químicas do Iraque, as CPI’s onde parlamentares julgam parlamentares com a- cordos por trás... Exemplos não faltam para mostrar a construção de verdades.

Com essas questões em mente, devemos prestar bastante atenção nas sutilezas ao tomar uma decisão a partir do que vem pela mídia. Isso também vale para as decisões como as de compra, mas, o mais importante, é ter isso em mente na hora de votar. Essa decisão, e as verdades “verdadeiras” que a envolvem, reflete diretamente em seu salário, sua segurança, sua moradia, enfim, na sua qualidade de vida. Por isso cobre o que foi prometido nas eleições, cobre as verdades prometidas. Se essa verdade for uma mentira disfarçada, indigne-se. Não deixe que a realidade torne a busca dos significados uma verdade irrelevante. As pessoas têm que ter consciência de que, por trás do que a mídia fala, existem conflitos de interesses. A verdade tem o poder de decidir os vencedores.